Caixa de Bombom
Abril de 1964 O golpe militar depusera João Goulart e a incerteza assombrava o País. Em meio ao turbulento cenário político, por determinação do Estado Maior das Forças Armadas, as tropas estavam aquarteladas, prontas para agir caso fosse necessário. O Cruzeiro do Sul luzia sobre o pampa gaúcho. Antenor contava estrelas e bafejava as mãos para aquecê-las. O turno recém começara e ele distraia o tédio estudando o pavilhão celeste. As ordens do Oficial de Dia eram severas: — Ninguém entra, ninguém sai! Coubera a ele vigiar o ponto mais afastado do quartel, um pedaço de campo alagadiço utilizado para prática de tiro ao alvo. Rumores de passos o alertaram da aproximação de alguém. O estalar de um graveto confirmou isso. Respirou fundo, buscou coragem na coronha do mauser e lascou: — Alto lá! Diga a senha ou mando bala! Uma voz enérgica emergiu do breu: — Segura o fuzil direito recruta. Desse jeito vais atirar no teu pé. Ao identificar o chegante, perfilou-se. Suspirou a...