Quem casa quer casa
Na derradeira noite de 1959 Aristides anunciava ao mundo seu propósito de ano novo ao pedir Ritinha em casamento. Estavam noivos há alguns anos e já circulavam boatos que ele estava apenas enrolando a moça. Não era esse o caso, pois o moço era distinto e suas intenções sinceras. Tanto é verdade que durante o ano traçara mil planos, guardara cada centavo, só para ver nos olhos de sua futura esposa a surpresa quando tornasse público seu desejo - talvez não para todo o mundo, mas para ela, seus pais e os seus irmãos, que riam a socapa do papel a que se prestara o pobre Aristides. Na emoção do momento misturava juras de amor com frases extraídas dos jornais da época. Que o País vivia um surto de crescimento como nunca havia se visto e, enfatizava ele, era esse o momento ideal para dar início a uma família e ajudar a criar uma grande Nação. Emocionada e um pouco confusa, Ritinha aceitou o pedido de casamento, apesar de mal formulado - na opinião da seleta plateia. Mas impôs uma condi...