A ponteira - especial de Natal
O primeiro domingo do Advento sempre tivera um significado especial para Roberto. Não por ser entusiasticamente religioso, mas por ser o dia de montar a Árvore de Natal. Desenvolvera o hábito colaborando, desde pequeno, com o empenho da família em ornamentar a moradia para as celebrações de final de ano. Perpetuava a tradição transmitida por sua mãe, já falecida, a quem reverenciava renovando, inovando e aprimorando a decoração. Devotava tamanha ênfase a essa perspectiva da liturgia que renegou o aspecto sagrado da data magna da cristandade. Vaidoso, recusava-se a reprisar o enredo anterior. Substituía tudo: bolas, festões, luzinhas, enfeites, esforçando-se para surpreender — e superar — amigos, conhecidos e parentes. Contudo, havia um item insubstituível: a ponteira! Sua aparência modesta destoava da exuberância reinante, porém carregava um peso simbólico inestimável. Fora trazida da Europa pelos antepassados maternos. Relíquia remanescente da pátria deixada para trás. Resisti...