A ponteira - especial de Natal
O primeiro domingo do Advento sempre tivera um significado especial para Roberto. Não por ser entusiasticamente religioso, mas por ser o dia de montar a Árvore de Natal.
Desenvolvera o hábito colaborando, desde pequeno, com o empenho da família em ornamentar a moradia para as celebrações de final de ano. Perpetuava a tradição transmitida por sua mãe, já falecida, a quem reverenciava renovando, inovando e aprimorando a decoração. Devotava tamanha ênfase a essa perspectiva da liturgia que renegou o aspecto sagrado da data magna da cristandade.
Vaidoso, recusava-se a reprisar o enredo anterior. Substituía tudo: bolas, festões, luzinhas, enfeites, esforçando-se para surpreender — e superar — amigos, conhecidos e parentes. Contudo, havia um item insubstituível: a ponteira! Sua aparência modesta destoava da exuberância reinante, porém carregava um peso simbólico inestimável. Fora trazida da Europa pelos antepassados maternos. Relíquia remanescente da pátria deixada para trás. Resistira à guerra, perseguições, à travessia do Atlântico. Alegrara os Natais passados na nova terra, encantara gerações por décadas. Tê-la sob sua guarda era uma honra e uma imensa responsabilidade.
Nostálgico, Roberto praticava o ritual lembrando das inúmeras vezes que a colocara no topo do pinheirinho, decretando o início do período natalino. A ceia era o ápice ansiosamente esperado. Mesa farta, convivas elogiando o resultado de sua dedicação, brindes e distribuição de presentes. Aboliram a visita do Papai Noel quando o último sobrinho atingiu a puberdade, embora alguns membros tenham, discretamente, discordado.
Roberto era saudosista, irascível e metódico. Na quarta-feira empilhou na sala caixas e mais caixas contendo os materiais necessários para instalar a árvore e o presépio. Gostava de preparar o recinto antecipadamente. Acordava cedo e, antes de ir para o escritório, limpava as peças, comparava as veteranas com as novatas, selecionava as escolhidas para, no domingo, realizar a montagem propriamente dita. Cauteloso, removeu a famosa ponteira de seu estojo. Era frágil, feita de vidro muito fino. Consistia numa base rematada por uma esfera, na qual incrustaram uma estrela. Fechava o conjunto uma longa agulha vermelha. Seu colorido desbotara, despontaram manchinhas cinzentas. A idade cobrava seu tributo. Minúcias insignificantes. Resplandeceria majestosa em seu posto, refletindo o pisca-piscar das luzes, até ser posta para repousar no Dia de Reis.
O homem põe e Deus dispõe.
Há seis meses, atendendo aos lamuriosos apelos da esposa, adotaram um maltês de bolso, branquinho e silencioso. Não tinham filhos e o pequerrucho ajudaria, segundo ela, a preencher o vazio de um lar habitado exclusivamente por adultos. Via de regra Luce — o cachorrinho — comportava-se como um bom garoto. Lastimavelmente, talvez contaminado pelo entusiasmo de Roberto, talvez empolgado com a profusão de "brinquedos" esparramados em cima dos móveis, incorporou o bicho carpinteiro. A esposa o conteve tomando-o nos braços. Ao ser elevado bispou a ponteira deitada numa tampa de papelão. Desvencilhou-se do abraço. Pulou certeiro. Roberto viu a preciosidade rolar e transpor a borda. Saltou tentando salvá-la. Arrepiou ao sentir a frieza do toque na ponta dos dedos, antecedendo o ruído inconfundível de algo delicado espatifando-se. Os fragmentos espalharam-se instantaneamente, salpicando o assoalho de reflexos multicoloridos.
Roberto congelou. A esposa agarrou Luce e refugiou-se na suíte do casal.
Após longo tempo enclausurada, estranhou a quietude no lado de fora. Nem gritos ou safanões na maçaneta. Espiou por uma fresta. Tudo calmo. Cruzou o corredor, apertando o companheiro contra o peito. Nada. Nada na sala, na cozinha ou nos quartos. O marido sumira.
Roberto inferiu o óbvio: a perda era irreparável, portanto, seria inútil chorar o leite derramado. Respirou fundo e tomou uma decisão bastante sensata. Foi à cidade procurar uma substituta a altura. Esquadrinhou diversas lojas especializadas em fornecer enfeites para a ocasião, inclusive ponteiras. Os produtos expostos não chegavam aos pés daquele idealizado por ele. Ademais, eram todas iguais; certamente porque lojistas e distribuidores abasteciam-se no mesmo importador.
Desalentado, perambulou a esmo. Inadvertidamente enveredou por uma viela. Desembocou no trecho rotulado de Centro Histórico. Para ele o nome tratava-se de eufemismo barato, bolado por marqueteiros com o objetivo de glamourizar a decrepitude de ruas estreitas, recapadas com paralelepípedos alisados por incontáveis pisadas, ladeadas por antigos sobrados, iluminadas com pretensos lampiões a gás.
— A quem pensam enganar. — resmungou reparando na fiação mal escamoteada de uma luminária — Dá pra ver a lâmpada ai dentro!
Desprezava a região por considerá-la decadente. Preferia prédios modernos, avenidas amplas e imensos magazines. Bateu o cansaço e a fome. Agora buscava uma cafeteria.
Caminhava desatento, desdenhando vetustas portas abertas oferecendo-se despudoradamente aos passantes. Algumas vitrines exibiam artigos anacrônicos: panamás, gravatas-borboleta, bengalas. Uma ferragem anunciava arcos de pua e ... Opa! Avistou uma taça fumegante desenhada numa vidraça. Apressou o passo e deteve-se. A visão periférica detectara algo vistoso, destoante dos tons insípidos do entorno. Retrocedeu admirado. A sua frente descortinava-se uma loja de ponteiras natalinas! Originais, belíssimas. Do jeito que ele imaginara. Irrompeu esbaforido, olhando avidamente as prateleiras abarrotadas. Julgou estar sonhando.
— Em que posso ajudá-lo? Não servimos café. Tem uma padaria na esquina.
Procurou a origem da voz. Partia da parte traseira do balcão de madeira escura, encimado por um tampo de granito lustroso. Agachou-se, divisando um rosto rechonchudo através do vidro. O atendente, concentrado em organizar o mostruário, falava sem dignar-se a levantar. Alteou os olhos e encarou o freguês com ar malicioso:
— Deixa eu adivinhar. Precisa de uma ponteira. Acertei?
— Acertou. E parece que o acaso me trouxe ao lugar certo.
— Alguém te conduziu. — zombou o atendente — Duvido ter sido acaso.
Roberto ignorou-o. Embevecido pela fartura de opções, tentava localizar uma parecida com a destruída por Luce; inutilmente.
— Lamento sua perda. — o atendente finalmente se erguera. Baixote, subira num banco para atender Roberto. — Temos exemplares de variadas formas, cores e tamanhos.
— Quero essa. — Roberto pegara uma reluzente estrela-guia, raiada de amarelo.
— Essa não! — o atendente tomou-a das mãos de Roberto — Está destinada a outra pessoa.
Debateram apaixonadamente. O rapazote empurrando um modelo simples, prateado, sem maiores atrativos. Roberto insistindo em levar a imponente estrela-guia. Insinuou o pagamento de um extra por baixo dos panos, sem sucesso. Irredutível, o atendente balançava a cabeça negativamente.
Frustrado, Roberto cedeu contrariado. Não aceitavam cartão. Pagou em dinheiro. Aguardava a emissão do recibo — preenchido manualmente! — quando ambos ouviram um silvo agudo e prolongado.
— A chaleira! — exclamou o atendente. Correu para os fundos, atravessou uma cortina e sumiu de vista.
A princípio Roberto desgostou da atitude pouco polida do vendedor. Entretanto notou um pormenor interessante: a embalagem da ponteira prateada era idêntica a da estrela-guia. Uma ideia aparentemente inofensiva aflorou:
— E se ... — antes de concluir a sentença, Roberto trocou-as de posição. Chamou, simulando urgências:
— Ei você aí! Tenho compromissos ...
O atendente voltou. Trazia um pano de prato encardido no ombro e uma xícara na mão esquerda.
— Desculpe. É hora do chá.
Preencheu o restante do recibo, empacotou a mercadoria, despediu-se de Roberto e ficou observando. Bebericou um gole, apoiou o cotovelo na pedra e destampou a caixa, expondo a ponteira prateada. Sorriu satisfeito:
— Isso vai ser divertido!
A volta foi tranquila. Durante o trajeto Roberto bolou mil e um estratagemas perversos para livrar-se do cachorro encrenqueiro. Ao chegar, inseriu a chave na fechadura e esperou. Imediatamente escutou o som das patinhas de Luce arranhando o piso. O inocente tocaiava, ávido para dar o bote. Entrou. Não deu outra. Luce latia e saltitava em suas pernas sem suspeitar dos destinos cruéis planejados por Roberto.
Alertada pela algazarra a esposa surgiu agitada. Conversava com alguém ao celular:
— Ele chegou. Ligo depois. — e desligou.
Dirigiu-se a Roberto, visivelmente zangada:
— Aonde te metestes? Fiquei preocupada, liguei pra meio mundo ...
— Fui à cidade comprar uma ponteira.
Roberto, radiante, apresentou a resplandecente aquisição, solenemente ignorada.
— E não podia ter avisado? — a expressão denotava decepção, quase raiva.
Ela prosseguiu:
— Falei com teu irmão. Contei sobre a ponteira.
— Por quê? — Indignou-se. Acreditava ter razões de sobra para isso.
Tão logo a matriarca cantou para subir, os irmãos deflagraram acirrada disputa devido a discordâncias em relação a partilha dos bens. Eram três: o primogênito, Roberto e a caçula. No fim chegaram a um acordo. Infelizmente as mágoas dormitavam sob um verniz de dissimulada cordialidade. A ponteira tornou-se um símbolo da desavença entre Roberto e o irmão. Esse alegava ser o herdeiro natural e não aceitava que a mãe a tivesse confiado ao segundo filho. O acontecido avivara as brasas desta animosidade.
Discutiu com a esposa, acusando-a pela indiscrição. Perdeu as estribeiras. Desencavou o inventário de rancores e frustrações zelosamente armazenado num canto escuro de sua alma.
Na manhã seguinte, saturada de servir de saco de pancadas, aguardou o marido sair para o trabalho, catou as tralhas e se mandou. Justificou-se num bilhete lacônico preso na geladeira. Temendo o pior, carregou Luce consigo.
As consequências da escapadela impensada de Roberto não se resumiram a esse episódio. Na verdade, desencadeou uma série de desdobramentos terríveis.
No escritório, altercou acidamente com o sócio. Negligenciara importante reunião com o principal cliente da empresa, marcada para a tarde de ontem. Em decorrência, arriscavam-se a perder o contrato e uma fonte de renda vital para a sobrevivência do negócio.
À noite, enquanto digeria o abandono da esposa, recebeu a visita inesperada do irmão. Vinha para despejar poucas e boas. A tragédia da ponteira rompera a represa da civilidade e o primogênito transbordava repulsa, desconfiança e ressentimento. Retirou-se batendo a porta e os calcanhares.
— Esqueça que existo! — vociferou na despedida.
Os dias subsequentes não foram os melhores de sua vida. Abalado pela sucessão de infortúnios, deixou transparecer fissuras na couraça emocional forjada para repelir qualquer tipo de relacionamento. Começou pelos funcionários, testemunhas do indesculpável deslize, temerosos da manutenção de seus empregos e salários. Os sorrisos diminuíram, o cafezinho passou a ser servido frio. Nem bom-dia lhe davam.
A seguir surgiram alterações no comportamento dos empregados domésticos. Normalmente a esposa comandava o serviço, amenizando as grosserias do marido. Ele não sabia, ou não queria, lidar com "aquela gente" — palavras dele.
O jardineiro, por exemplo, "esquecera" de aparar a grama. Os jardins da vizinhança aparadinhos e o dele parecendo um matagal. Reclamou veementemente. Ouviu como resposta:
— Se der, corto na próxima semana.
Deu-lhe as costas murmurando:
— Velho muquirana. Nunca dá gorjeta e exige atendimento preferencial.
Ao constatar a ausência da patroa, a diarista recusou-se a ficar, alegando súbita indisposição.
Finalizando o rol de tribulações, eclodiu a revolução dos eletrodomésticos. Inicialmente rebelou-se a cafeteira, forçando-o a ir trabalhar sem a costumeira dose matutina de cafeína. Uma desgraça. A lava-roupas parou de funcionar graças a um curto-circuito na tomada. Ocorreram vários incidentes. O da fritura de pastéis foi espetacular. Enfarado de comer macarrão instantâneo, teve a brilhante ideia de fazer ele mesmo deliciosos pasteizinhos de carne guisada. Feito o recheio, fechada a massa, encheu de óleo a frigideira e acendeu o fogo. O telefone tocou na sala. Saiu para atender a chamada. Ao retornar encontrou uma pira no fogão. As labaredas lambiam a coifa e ameaçavam atingir os armários ao redor. Felizmente atinou de cortar o fornecimento de gás e jogar uma toalha ensopada de água nas chamas. A fumaceira se alastrou, vazou pela basculante. Acorreram moradores aflitos, acreditando tratar-se de um incêndio. Roberto foi ter com eles. Ao certificarem-se de que fora alarme falso, recolheram-se calados. Nenhum se preocupou com sua segurança ou demonstrou empatia. Queriam saber se suas residências corriam perigo.
Faltando duas semanas para o Natal, sentou-se na beira do sofá e encaixou os segmentos do pinheirinho artificial. Repetia mecanicamente a tarefa outrora tão alegremente executada. Dominado pelo desânimo, abandonou-o desnudo. O ambiente refletia seu estado mental: as caixas continuavam espalhadas na sala. O chão clamava por uma vassoura. A fuligem cobria móveis e paredes da cozinha. Roberto sofria, carecendo de calor humano.
Solitário e amargurado, aprontou-se para jantar sozinho. Colocou a bandeja de comida congelada no prato do micro-ondas e o fechou. Suspendeu o dedo indicador no ar, a milímetros do botão. Temia provocar uma catástrofe. Experiências recentes propunham ser esta uma hipótese viável.
A indecisão foi adiada por três batidas.
— Que diabos! — praguejou.
Morava em um condomínio fechado. Se era visitante externo, por que o porteiro não avisara? Se era um dos vizinhos saberia a localização da campainha. Escancarou a porta de supetão. Deparou-se com um homem alto, espadaúdo, vestindo gabardine e chapéu.
— Quem veste casaco em pleno verão? — questionou-se silenciosamente.
O encasacado saudou-o tocando a aba do chapéu:
— Boa noite, Sr. Roberto. Chamam-me Ismael. Sou gerente da loja de ponteiras.
Fez uma pausa. Roberto perguntava-se por que Ismael aparecera àquela hora. Ele esclareceu:
— Houve um lamentável equívoco. Nosso vendedor é inexperiente e lhe entregou o artigo errado. Espero que o senhor não se oponha a fazer uma troca justa.
— O quê? — Roberto entendia cada vez menos.
— Trocaremos sua ponteira atual por uma compatível com suas especificidades...
Dito isso sacou, sabe-se lá de onde, um estojo marchetado com figuras natalinas. Abriu-o, embasbacando Roberto. Em seu interior reluzia, novinha em folha, a ponteira que pertencera a sua mãe.
— Não é possível.
— ... basta que o senhor devolva a sua.
Cambaleou em direção à mesa e retornou trazendo a estrela-guia. Ismael segurava uma caixa metálica, vazia.
— Por favor deposite-a aqui.
Roberto obedeceu. Ismael fechou-a rapidamente e se afastou. Ia protestar, exigindo o cumprimento do combinado. Emudeceu ao descobrir que ela ocupava seu lugar de direito no topo do pinheiro.
A misteriosa aparição perturbou o conturbado Roberto. Quis pegá-la. Ao roçar nos galhos, sentiu a aspereza das ramagens de plástico. O coração disparou. Recordações pulularam. Reviu dezenas de Natais — uns felizes, outros nem tanto — sucedendo-se vertiginosamente em sua mente. Caiu de joelhos e chorou. Verteu lágrimas sem causa definida. Um misto de tristeza, arrependimento e libertação. Escoaram-se as horas sem que percebesse. Ergueu-se decidido a ligar para o irmão. Passava da meia-noite. Desistiu por um motivo justo. Queria reconciliar-se, não matá-lo de susto.
Que há magia na época do Natal ninguém duvida. Varia o modo como se manifesta e a compreendemos.
A retomada de contato com o irmão não foi fácil. Precisou convencer a cunhada da seriedade de suas boas intenções. Só assim ela transferiu o aparelho para o marido. Concordaram encontrar-se em terreno neutro e acertar os termos de uma trégua.
O tal cliente principal mudou para o concorrente, todavia aprenderam uma lição: não é saudável manter todos os ovos na mesma cesta. Superaram dificuldades, redobraram esforços e ampliaram o portfólio, diversificando a carteira de parceiros.
Lavou os azulejos e armários enegrecidos pela fuligem. Consertou a tomada da lavanderia e — pasmem! — tentou podar a grama com um tesourão enferrujado desentocado na garagem.
— Neste ritmo só vai terminar no Ano Novo do ano que vem! — disse o jardineiro apoiado no cabo do aparador elétrico — Dá licença?
Ajeitou os canteiros, regou as flores, podou os arbustos. Roberto convidou-o a sentar, servindo limonada. Dividiram um degrau e prosearam animadamente. Ao providenciar a remuneração incluiu um acréscimo substancial. O jardineiro divulgou a notícia entre os condôminos.
Azafamado com a realização de tantas atividades atrasou a instalação da decoração de Natal. A árvore estava pela metade e os personagens do presépio permaneciam embalados. Estranhamente, sentia-se bem. Curtia o presente, as pequenas vitórias. Interessava-se pelos demais. Faltava apenas um detalhe. O maior de todos. Reconquistar o amor de sua esposa.
Reencontraram-se no quarto domingo do Advento, na praça onde se conheceram. Roberto não fez promessas. Ela nada exigiu. Voltaram juntos para casa, convertida novamente em lar. A semente lançada germinou. Dali a nove meses foram abençoados com uma dádiva.
A meteorologia previu chuva para 24 de dezembro.
Garoava insistentemente, encharcando o chapéu de Ismael, parado ao lado do Atendente. Contemplavam a família confraternizando através das janelas.
Ismael expandiu um par de asas enormes. Com a ala esquerda protegeu o colega do chuvisqueiro.
Nesse momento desenrolou-se mais um evento maravilhoso naquela noite encantada. Um par de asinhas brotou nas costas do Atendente.
— Vejo que ganhastes tuas insígnias de Anjo da Guarda.
Orgulhoso, o Atendente espiava sobre o ombro abanando os cotocos. Ensaiava futuros voos, apreensivo com a diminuta grandeza dos apêndices recém adquiridos.
— Elas crescem. — consolou-o Ismael.
— Tinha de ser assim? — o Atendente apontou para a casa, questionando as provações enfrentadas por Roberto.
Pensativo, Ismael respondeu ponderando eternidades a serviço do Senhor:
— Os desígnios d'Ele são insondáveis. Além disso, é notório que Ele escreve certo por linhas tortas.

Deus reserva surpresas maravilhosas para nós!
ResponderExcluirRoberto que o diga ;)
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